segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ler e escrever: portais para novos e velhos mundos

      Cada um de nós possuí uma relação, única e incomparável, com a prática da leitura e escrita. Você, caro leitor ou leitora, consegue se lembrar de seus primeiros contatos com a leitura? Consegue se lembrar do primeiro livro que leu ou da primeira redação que escreveu?
    Nós, professoras e integrantes do curso “Leitura e escrita no contexto digital”, queremos compartilhar com vocês nossas primeiras impressões do mundo da leitura e qual a importância dela em nossas vidas.


Jéssica Nunes Saracino

      Como cantam os Titãs,“a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!”. Bem como a comida é o alimento do corpo, acredito que o livro é o alimento da alma. A leitura estimula nossa capacidade criativa e nos lembra de que é preciso sonhar e imaginar para continuar vivendo.
       O momento que dedicamos à prática da leitura, seja ela coletiva ou individual, é mágico, pois podemos nos transportar para épocas ou situações que, por vezes, não vivemos ou não viveremos. Através da palavra escrita podemos viajar o mundo, e quem sabe, outros mundos. A leitura é como um portal que nos convida a entrar e decifrar o desconhecido.
      Um dos meus primeiros contatos com a leitura foi através dos livros da “Bruxa Onilda”, provavelmente a partir do 1ª ano do ensino básico, uma série de livros escritos por Enric Larreula e ilustradas por Roser Capdevila, que contavam a história de vida de uma Bruxa que, apesar de possuir a magia, enfrentava uma série de dificuldades.
         Depois dessa fase, passei a ler muitos livros da coleção vagalume, e me lembro que o primeiro livro que ganhei do meu pai chama-se “O escaravelho do diabo”, escrito por Lúcia Machado de Almeida. Daí pra frente, li muitos livros da Agatha Christie e de alguns autores brasileiros, como Monteiro Lobato e Lygia Bojunga. Meus pais me estimularam muito a ler, minha mãe sempre me levava à biblioteca da cidade para eu escolher o que eu queria ler. Posso afirmar, com toda certeza, que este estímulo foi essencial para a minha formação, profissional e humana.
         Sou apaixonada por livros, na verdade por todo tipo de leitura, até bulas de remédios e rótulos de produtos eu leio! Acredito que a leitura deve ser transformada em um hábito, por isso deve ser incentivada por todos os professores.



Vincenza Palumbo Damário

      Tenho muitas saudades de meu tempo de infância assim como vocês. Aprendi a ler no 1° ano aos sete anos de idade. Meus pais compravam alguns livros além dos didáticos para eu ler em casa e na escola, pois naquela época não havia biblioteca e o único livro que a professora trabalhava era o didático. Sou a terceira filha, de uma família de cinco irmãs.
      Desde de pequena tive acesso à leitura de livros didático e paradidático além de jornais e revistas. Lembro com carinho do livro "Caminho Suave"; e mais tarde, já na minha adolescência, dos livros de Agatha Christie. Recordo que, por causa desse hábito de ler livros, matéria de jornal e revistas para as minhas irmãs menores, isso fez com que eu me identificasse com a leitura. Na escola, apesar da timidez, gostava de mostrar para os professores os resumos dos livros paradidático que fazia em casa.
        Por volta dos 12 a 13 anos de idade, escrevia. poesias em casa na minhas horas de lazer, da qual me levou ao 3° lugar em um concurso de Poesia na escola. Toda excursão que participava, a professora reservava um tempo para contarmos sobre o passeio e expor nossas ideias.
       Acredito que meus pais e a escola foram importantes para adquirir hábito de leitura de uma forma divertida e não obrigatória. Em sala de aula, na minha disciplina (Ciências), tenho atualmente muitos livros paradidáticos, além do didático e o caderno do aluno. Procuro fazer rodízios de leitura com esses livros.



Roselene Feitosa Ascencio

        A escola sempre foi uma experiência inebriante para mim, tenho muitas recordações boas das escolas que estudei durante a minha vida, escolas públicas, simples,mas que me fizeram desejar ser professora, desejar nunca mais sair desse lugar tão rico de experiências valorosas.
      Me lembro da primeira professora com carinho, das lições que ela aplicava, da cartilha caminho suave, a vontade de chegar logo na lição do z. Dona Vanda! Fui alfabetizada por ela há tantos anos atrás,mas fecho os olhos e posso sentir o carinho com que ensinava a todos nós.
       Não posso me esquecer também da Dona Maria José que fez conosco na terceira série um gibi, recortamos figuras da turma da da Mônica depois escrevemos os textos, ela recortou em volta do livrinho de cada um, com tesoura de picotar. Foi a minha primeira experiência como produtora de textos, Dona Maria José era uma professora à frente do seu tempo.
        Comecei a frequentar a biblioteca ainda bem criança, era uma sala no piso superior da escola, um lugar de respeito, piso encerado e muitos livros para escolher, lembro-me que gostei muito de ler "Poliana", "Olhai os lírios do campo", foram livros que marcaram a minha saída da infância para adolescência. E os livros foram sempre marcando momentos importantes na minha vida até hoje, gosto muito de ler, é o descanso, é o prazer, um conforto para o final dos dias.



Meire Cristina Bassi

       Me lembro com carinho e muita saudade do meu tempo de pré-escola. Aprendi a ler e escrever com a tia Catarina. Tempo bom aquele! Me lembro que no final do ano já estava super afiada, a professora passava leitura e fazíamos com prazer para terminar rapidinho porque em seguida a professora passava lição no caderno, era uma disputa para ver quem terminava mais rápido para ter mais lições no caderno.
      Quando entrei no 1º ano, e olha que tive um trauma grande antes disso, porque não tinha idade para acompanhar minha turma, então até a última hora achei que ia ficar no pré mais um ano, nem participei da formatura com a turma. Por fim, havia uma vaga e lá fui eu para o 1º ano. Minha professora, a Dona Terezinha, como a chamávamos, era uma senhora muito calma e doce, usávamos a cartilha Caminho Suave. Como era bom, fazíamos leitura, cópia, produzíamos textos.
       Quando entrei na 4ª série gostava muito de fazer descrições. O professor colocava uma figura com uma paisagem e pedia que descrevêssemos o que estávamos vendo, depois deveríamos inventar uma história. Já, a partir da 5ª série, a leitura de livros era muito cobrada pelos professores de português, livros como "Senhora" de José de Alencar, que foi o primeiro que li, "Iracema", "Meu pé de laranja lima", "O Cortiço", e tantos outros que fizeram parte das leituras que fiz em idade escolar, algumas delas foram prazerosas e outras por obrigatoriedade. Enfim, agradeço aos meus professores por me mostrarem a importância da leitura e da escrita.
      Hoje, ler faz parte do meu cotidiano, por falta de tempo, não consigo ler romances ou ficções como gostaria, mas leio muito. Tudo que passa pela minha frente, desde textos relacionados à educação, ou à minha disciplina, a revistas ou até folhetos de toda espécie. Gosto muito de livros que contam histórias reais e nos informam sobre costumes diferentes. Um livro que li recentemente e me trouxe muitas informações e sensibilização foi o "Cidade do Sol" de Khaled Hosseini que conta como são tratadas as mulheres no Afeganistão. Este livro vale a pena.





Gislene Ronca de Souza

      Relembrar o passado é algo extraordinário. Sinto saudades dos meus amados professores, na década de 70 não era comum frequentar a pré-escola, então fui para a escola sem ter conhecimento da leitura e escrita. Tive o prazer de estudar com a melhor professora que já conheci, ela me levou a conhecer o mundo da leitura e escrita, tive um pouco de dificuldades, nada difícil para uma mestra tão especial. Fiquei doente, mesmo assim minha professora não desistiu de mim, ia até a minha casa pra me ajudar. Enfim a partir daí foi um sucesso. Porém do meu primeiro dia como docente, sinto saudades, angustia, enfim não foi muito fácil. A única experiência que tinha era dos estágios, que me ajudaram muito.
       O tempo foi passando e hoje estou na rede à 20 anos. Sinto orgulho de ser professora (PEBI). Amo o que faço. 








4 comentários:

  1. Olá a todos!
    Adorei o blog de vocês, está bastante criativo e "leve". Também gostei das imagens que complementam os depoimentos.
    Parabéns!

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  2. Nossa que fantástico ver a cartilha caminho suave nessa postagem, voltei no tempo ... adorei ler as experiencias de vocês

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  3. Olá colegas de curso,

    Obrigada pela visita e obrigada pelos comentários!!! O grupo 2 agradece!

    Abraços!

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